José Paulo Fafe

Coligação PSD/CDS: uma sondagem que é um "mistério"…

COLIGA

ESTE CASAMENTO anunciado (convenhamos que algo forçado e contranatura para quem conhece bem os estados de alma do que resta das bases do PSD e do CDS…) entre os dois partidos da coligação governamental com vista às próximas legislativas assentou, todo ele, nos resultados de uma sondagem encomendada à pressa pelo PSD nas últimas semanas e que, estranhamente, veio revelar resultados significativamente distintos de todos os estudos de opinião feitos até há dois meses atrás, colocando agora uma coligação eleitoral entre PSD e CDS à frente do PS nas intenções de voto. Curiosa e “misteriosamente”, esse cenário, que não é crível a olho nu, contraria todos os outros estudos encomendados pelo PSD nos últimos meses e que, apesar de mostrarem os socialistas com uma notória dificuldade em crescer eleitoralmente, indicavam uma clara segunda posição para o PSD e um verdadeiro “descalabro” para o CDS, que as sondagens mostravam reduzido a pouco mais de 3 por cento.

O “mistério” de tudo isto reside no comportamento de algumas das pessoas que aparentemente estão no inner circle de Pedro Passos Coelho (se é que o líder do PSD tem inner circle…) e que tudo fizeram para encontrar “argumentos” que contrariassem os estudos de opinião que mostravam, além da impossibilidade de obtenção de  uma maioria absoluta por parte de quem quer que fosse, a queda vertiginosa do CDS. Ou seja não descansaram enquanto não apresentaram uma sondagem cujos resultados contrariassem essa realidade, inviabilizando assim a “morte” do partido liderado por Portas e o surgimento pós-eleitoral de algum acordo, por ténue que fosse (leia-se “pontual”), com os socialistas. E mesmo o “receio” que, correspondendo à matriz fisiológica do partido e do seu líder, o CDS viesse hipoteticamente a viabilizar um governo PS, não tinha razão de ser – a crer nas intenções de votos que os centristas recolhiam em todos os estudos e que, mesmo contando com uma previsível “margem de crescimento”, nunca ultrapassariam os 5 por cento, insuficientes assim para desempenhar o papel de “charneira” em qualquer solução governativa liderada pelos socialistas. Ficam obviamente duas perguntas: uma, sobre o que terá levado o PSD a enjeitar a possibilidade de “matar” finalmente o CDS?; e a outra, sobre a vantagem em comprometer à partida um acordo com o PS durante a próxima legislatura?

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