José Paulo Fafe

Carrilho: uma demissão que pecou por tardia

FINALMENTE ESTE governo decidiu demitir Manuel Maria Carrilho como representante permanente junto da Unesco. Aproveitando um habitual movimento diplomático que abrangeu mais sete ou oito missões diplomáticas portuguesas no estrangeiro, Sócrates finalmente afastou o ex-ministro da Cultura que, naquelas suas “birras” que lhe são tão habituais, já veio a público deixar a entender que teria sido vítima de perseguição política na sequência de uma entrevista alegadamente crítica que teria concedido ao “Expresso”. A verdade é que Carrilho já deveria ter sido “corrido” há muito tempo, mais concretamente desde 22 de Setembro do ano passado quando, contrariamente às instruções recebidas de Lisboa, recusou-se a votar no egípcio Farouk Hosni para director-geral do organismo junto do qual representa o governo de Lisboa. Era preciso tanto tempo para mandá-lo regressar? E já agora: a tal entrevista ao “Expresso” foi precedida de algum pedido de autorização ao palácio das Necessidades, tal como o regulamento exige a qualquer diplomata em funções? É que isso de se armar em vítima sempre foi um dos atributos desta manhosa e patética versão de Jack Lang…

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