José Paulo Fafe

Capucho: uma declaração que é um “recado” para as empresas de sondagens


CONFESSO QUE não fiquei nada surpreendido com a “confissão” de António Capucho em manifestar a sua disponibilidade para ser candidato à Presidência da República. A primeira vez que percebi que tal coisa lhe passava pela cabeça foi durante uma conversa que tive com ele nas vésperas da sua última eleição como presidente da Câmara de Cascais, já lá vão mais de quatro anos e onde ele não teve qualquer pejo, en passant,  de admitir que considerava ter perfil para ocupar a chefia do Estado. Há pouco mais de um mês, no rescaldo das últimas autárquicas e apesar de não se ter saído lá muito bem (obteve um resultado eleitoral para a Assembleia Municipal de Sintra francamente inferior  ao do seu “parceiro” Marco Almeida) publiquei neste espaço que Capucho, por sua vontade, era um potencial candidato a Belém, até porque dificilmente resistiria a não “tentar ‘cavalgar’ a onda dos independentes e simultaneamente capitalizar o descontentamento de uma certa direita que não se revê no actual PSD“. Quem conhece minimamente Capucho sabe que o antigo autarca se tem a si próprio em grande conta (o que até pode não ser defeito, mas apenas feitio…) e percebe-lhe a “vulnerabilidade” que possui relativamente a alguma corte que sempre gostou de cultivar e manter à sua volta – o que é sempre meio caminho andado para “embarcar” neste misto de “cruzadas” e de “aventuras” que normalmente acabam mal por falta de nexo e sentido.
A declaração que António Capucho faz hoje ao jornal “i” e em que admite avançar com uma hipotética candidatura, é fundamentalmente um “recado” dirigido às empresas de sondagens, de forma a tentar a que o seu nome comece a constar dos inquéritos dos próximos estudos de opinião, já que de forma espontânea é impossível o seu nome surgir. E por outro lado, também (porque não dizê-lo?) fazer a imprescindível “prova de vida” perante os media, para quem certos protagonistas possuem um implacável prazo de validade.

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