José Paulo Fafe

Brasil: uma presidente búlgara

O ESTILO solitário e pouco “espaventoso” que Dilma Rousseff tem imprimido à sua governação começa a gerar algum desconforto em certos sectores da cena política brasileira, até mesmo no seio da ampla “base aliada” que a elegeu e lhe garantiu uma maioria clara no Senado e Câmara de Deputados. A pouco e pouco, Dilma começa a ser olhada com alguma desconfiança, mesmo até entre algumas facções do PT – em muito pelo seu “jeito solitário” de governar, fugindo a entendimentos e acordos que a possam comprometer e tentando impôr, contra tudo e todos, a sua opinião e ideias – o contrário de Lula que, segundo consta, já não esconde algumas críticas relativamente à sua antecessora e ao seu estilo. Sob título de “A presidente sem amigos“, na sempre imprescindível página 2 do  da “Folha de S.Paulo”,  Fernando Rodrigues escreveu anteontem um curto e incisivo texto onde, de uma forma sublime, define Dilma Rousseff como alguém que governa sem grande tendência para envolver até os seus mais próximos no processo de decisão, que no fundo “decide tudo de maneira solitária“. E escreve o colunista: “Trata-se uma grande diferença (…) de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Era comum os presidentes pré-Dilma compartilharem suas ações políticas com um grupo decisório mais próximo. No caso de Dilma não existe tal grupo. Pelo menos, não há assessores com poder de influência para tanger a presidente para um dos lados  de uma discussão sobre manejo político“. E remata: “Aliás, ai de quem tentar“. Metódica, extremamente organizada, pouco avessa a populismos a que o seu antecessor não resistia, Dilma começa a mostrar aos seus compatriotas a sua forte e fria costela búlgara. O que ninguém sabe é se o Brasil e principalmente o “seu” PT estão dispostos a aguentar este estilo até e depois de 2014… No fundo tudo depende da evolução do estado de saúde de Lula e, também, do resultado das eleições locais do próximo mês de Outubro, principalmente em S.Paulo e em outras grandes capitais.

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