José Paulo Fafe

Brasil: o descrédito da política e de quem a faz


AS MANIFESTAÇÕES que, por uma razão ou outra, ocorreram em S. Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília são um sinal claro de uma crescente insatisfação que atravessa, de forma transversal, a sociedade brasileira e que a monumental vaia que, ainda ontem, Dilma Rousseff recebeu no jogo inaugural da Taça das Confederações é um sinal claro. E não se pense que é o aumento dos 20 cêntimos no bilhete de autocarro em São Paulo e no Rio, o abate de umas árvores em Porto Alegre ou a “derrapagem” financeira na construção do estádio em Brasília que estão em causa para os milhares que tomaram conta das principais artérias dessas cidades e que foram violentamente reprimidos pelas forças policiais.  Não, no fundo o que está em causa para essas pessoas é um estado de saturação a que chegaram perante a forma algo descarada como a generalidade da classe política se comporta, deitando para trás das costas os que é minimamente exigível a quem possui deveres enquanto eleito e optando por um descaramento que choca o mais tolerante dos observadores. Apenas e só isso. O que não é pouco – bem antes pelo contrário…

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