José Paulo Fafe

Brasil (I) – O futuro de Lula

PODE SER que me engane, mas não me surpreenderia se Dilma Rousseff trilhasse o seu próprio caminho a partir do momento em que subisse a rampa do palácio do Planalto e “descolasse” muito mais rápida e profundamente do seu “padrinho” Lula do que se possa imaginar. Penso mesmo que aqueles que dão como garantido que, em 2014, Dilma prescindiria de uma hipotética reeleição para “abrir caminho” ao regresso do ainda presidente brasileiro estão na iminência de enganarem-se redondamente. É natural que a partir da sua mais do que previsível vitória eleitoral, a futura chefe de Estado brasileira ganhe ainda mais “corpo” e peso político. E por muito que deva a sua eleição a Lula (e deve!), o facto é que os votos pertencem-lhe, ainda para mais se eleita à primeira volta – coisa que Lula nunca conseguiu, mesmo na sua reeleição em 2006…
Acrescido a tudo isto, não nos podemos esquecer de muitos ilustres “petistas” a quem, de uma maneira ou outra e apesar de muito lhes dever, Lula foi progressivamente afastando e que hoje em dia estão progressivamente recuperando peso e espaço políticos. Estou a falar de José Dirceu e António Pallocci, dois dirigentes do PT que ajudaram a criar Lula e que foram, na prática, suas “vítimas” e do seu “síndroma de eucalipto”, que é como quem diz da forma como o presidente brasileiro, nestes oito anos de mandato, “secou” tudo à sua volta…
É indiscutível que Lula ficará na história do Brasil, a par de Getúlio ou de um Juscelino, O que já é mais discutível é que seja “trigo limpo” que, como muitos dão como certo, ele regresse quando muito bem entender. A ver vamos…

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