José Paulo Fafe

Banqueiros portugueses na mira dos tribunais angolanos

NÃO SÃO um nem dois, os processos judiciais que envolvem figuras gradas do universo financeiro e empresarial português e que estão a correr em Luanda sob o maior sigilo e com a maior celeridade – parecem ser muitos e implicar, com maior ou menor responsabilidade, grande parte do chamado “PSI-20” nacional…

Mas o processo que tudo indica poder dar mais brado parece ser o que implica, ao que dizem, alguns altos responsáveis do grupo Espírito Santo – pelo menos o seu presidente Ricardo Salgado e também Amílcar Morais Pires, administrador e CFO do Banco Espírito Santo, a quem as autoridades judiciais angolanas preparam-se para acusar de participação no processo da burla que teve o Banco Nacional de Angola (BNA) como palco há cerca de cinco anos e que chegou mesmo a conduzir à prisão domiciliária do anterior governador, Amadeu Maurício (“Nino”) e à detenção de outros altos altos funcionários do banco central angolano. Apesar deste processo estar decorrer no maior sigilo, há quem garanta que os swifts que permitem e comprovam as entidades bancárias estrangeiras envolvidas na transferência dos fundos desviados do BNA para contas em Cabo Verde (via Londres e Lisboa) estariam já na posse da investigação, o que possibilitou a conclusão da acusação e a constituição em arguidos de diversas pessoas, algumas portugueses, entre as quais Salgado e Morais Pires.
A ser verdade, o desenrolar deste processo em concreto poderá vir a causar grandes tumultos a nível do estabilishment bancário, tanto em Angola, como mesmo em Portugal. Lá, porque irá obviamente debilitar a posição que até há alguns meses o grupo Espírito Santo gozava junto da nomenklatura angolana, ainda que alguns episódios recentes (como a nebulosa venda da Escom, por exemplo) tenha enfraquecido a outrora influente e aparentemente poderosa posição do grupo; e cá, porque Morais Pires é o preferido por Salgado para suceder-lhe na presidência do banco, uma preferência que tem a oposição clara e frontal da generalidade do chamado “clã Espírito Santo”. 
Uma verdadeira “telenovela” a seguir com atenção, apesar da autêntica barrage que algumas administrações de determinados grupos de media nacionais têm feito nos últimos dias para que as suas redacções não dêem à estampa o muito que já investigaram e confirmaram sobre este e outros processos que correm na justiça angolana…

9 ComentáriosDeixe um comentário

  • Amigo ZPF
    Eu só te faço uma pergunta:
    Se tentares esconder 8 milhões de euros ao fisco que te acontece?
    É que andavam por aí à procura de 70 mil….Posso rir? Então está bem ahahahaha

  • Então se o processo angolano “está a decorrer no maior sigilo”, como diz, como é o meu caro amigo, cá tão longe,consegue saber essas coisas todas? Estranho, não? Das duas uma: ou o tão falado “segredo de Justiça”, afinal é tão “secreto” em Angola como entre nós( só que por lá isso parece não causar engulhos), ou então o José Paulo Fafe está a ser vítima de uma intriga cujo alcance desconheço.

  • Mário Santos Moreira,

    Cada um tem as fontes que tem e atribui-lhes a credibilidade que elas merecem, ou não. Foi isso que eu aprendi e pus em prática em mais de 20 anos em que fui jornalista e em que nunca me dei mal – bem antes pelo contrário.
    Esta informação é credível. Se não fosse, não a tinha “postado”. Mais: que tudo tem sido feita em alguns meios de comunicação nacionais para que não seja veiculada, também é verdade. Num diário, num canal de televisão, etc. E vou até mais longe: há quem suspeite que aqui reside o verdadeiro motivo para os contornos um pouco exagerados desta “campanha” feita em redor de um vulgar “caso de polícia” onde supostamente um general angolano (ao que parece ainda parente por afinidade do presidente José Eduardo dos Santos) recrutava prostitutas no Brasil. E a que ainda ontem um semanário dedicava (exageradamente) quase uma página…
    Cumprimentos,
    ZPF

  • Conforme já deixei aqui escrito ontem, o provérbio está mal citado. De facto o que o provérbio diz – e que poderá verificar num Dicionário de Provérbios – é: “Quem não tem cão caça como gato”. Como gato significa que caça sozinho. Os gatos caçam sozinhos.

    Votos de um dia excelente.

  • Isabel Magalhães,
    Agradeço penhoradamente o seu cuidado com o rigor do provérbio, mas existe uma razão para que eu o use da forme como o uso – isto para além do facto de não me considerar sectário ou “ortodoxo”, muito menos em questões que se prendem com a língua. Se assim lhe aprouver, terei todo o prazer de explicar as razão para que, em vez de “como gato”, surge “com gato”.
    Melhores cumprimentos,
    ZPF

  • Da sua resposta posso então concluir 3 coisas:
    1ª- Afinal, neste país que se diz democrático, existe em pleno vigor uma censura férrea, capaz de amordaçar os mais poderosos e autoproclamados independentes meios de comunicação social.
    2ª- Em consequência, a Constituição, garantes das liberdades, nomeadamente a liberdade de expressão, não passa de letra morta neste país, apesar de ter a defendê-la um magnífico conjunto de juízes organizados num supremo poder especialmente criado para defender a sobredita.
    3ª- Sendo como diz, o segredo de justiça – cuja quebra e vilipêndio em Portugal parece ter sido a razão primeira do amuo do poder angolano -, é igualmente desfeiteado naquela nossa ex-colónia, com idêntica desfaçatez e impunidade.

  • Cara Isabel
    É algo assim como, se não tem SmartPhone, use o Nokia do século passado que tem na gaveta.
    Pode demorar um pouco mais, mas “a chamada” chega lá na mesma!!!!!
    E chega,amigo ZPF…e chega!

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