José Paulo Fafe

As verdades são para se dizer…

A RECENTE entrevista de uma das vítimas do “processo Casa Pia” ao “Expresso” e em que vem garantir que muito do que foi afirmado, tanto no inquérito policial como posteriormente em Tribunal, foi “inventado” é muito (mas mesmo muito!) preocupante… Como é igualmente preocupante a insinuação que Ilídio Marques faz relativamente a algumas “pressões” que recebeu para apontar este ou aquele, bem como o que conta sobre o estranho desaparecimento e destino de páginas de um processo que estava em segredo de justiça que ele entregou a Catalina Pestana, uma personagem em todo este “folhetim” que cada vez mais assume um papel mais estranho e complexo.
Só para terminar: admito que tenha existido muito boa gente que tenha “torcido o nariz” quando recentemente o famigerado “Bibi” surgiu a dar o dito por não dito – algo mais do que compreensível, até devido à personalidade algo psicopata de Carlos Silvino. Mas agora, desta vez, há dois factores que eu sou obrigado a ter em conta e que, de algum modo, me asseguram essa credibilidade que parecem-me possuir as declarações do tal Ilídio Marques: o facto de, com estas declarações, o jovem em causa, na prática, deixar de ter direito a receber a indemnização de 25 mil euros que o Tribunal condenou o advogado Hugo Marçal a pagar-lhe; e o facto do jornalista do “Expresso” que assistiu à entrevista gravada e filmada por um jornalista free lancer chamar-se Rui Gustavo alguém com quem trabalhei alguns anos e de quem tenho a melhor das impressões profissional e pessoal, considerando-o mesmo como um dos jornalistas mais sérios e éticamente responsáveis da sua geração. As verdades são para se dizer, n’é?

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