José Paulo Fafe

A questão do voto obrigatório


PRATICAMENTE AO mesmo tempo que, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa defendia a instituição do voto obrigatório, no Brasil, a “Folha de S. Paulo” divulgava um estudo  que revelava que 61 por cento dos brasileiros são contra o voto obrigatório – a percentagem mais alta desde que, em 1994, o instituto “Datafolha” passou a avaliar anualmente  esta questão. Essa rejeição radica fundamentalmente  nas classes mais altas e escolarizadas e também junto do eleitorado mais conservador.  Recorde-se que actualmente no Brasil, onde se vota a partir dos 16 anos, o voto é facultativo apenas para eleitores analfabetos, ou que tenham mais de 70 anos ou ainda aqueles cuja idade esteja compreendida entre os 16 e 18.

Em Portugal, quem deve obviamente estar contra a proposta lançada por Marcelo são os pseudo ou neo-independentes que por aí pululam – muitos deles a aproveitarem-se de um suposto alheamento do actual xadrez partidário para lançarem ou retomarem uma carreira política com os mesmos pecadilhos e defeitos daqueles a quem tanto criticam. Seriam certamente eles os mais prejudicados com uma medida desse tipo, deixando assim de poder reclamar para eles o (significativo) peso da abstenção nos actos eleitorais e restando-lhes apenas reivindicar como seus os votos brancos ou nulos, Ora aí está uma boa razão para estarmos atentos às próximas aparições televisivas dos “do costume”…

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