José Paulo Fafe

A propósito de um adeus…

NO MOMENTO em que essa patusca criatura que dá pelo nome de  Fernando Seara anuncia que abandona a vida autárquica, não resisto a lembrar aqui o que escrevi a 2 de Julho do ano passado sobre essa figura, sob o título de “O príncipe consorte“, mas sem antes deixar de lembrar (e sublinhar…) que ainda não foi desta que o marido da D. Judite se abalançou à capitaL… É que lá, as coisas piam mais fino – não é?
“Tal como futebol, na política existe também quem passe “ao lado de uma grande carreira”. É o caso de Fernando Seara, eterno candidato a tudo o que é lugar, de ministro a secretário de Estado, de presidente da Câmara de Lisboa a líder do PSD (sim, sim, houve quem lhe metesse isso na cabeça…) e até de sucessor de Gilberto Madaíl ou de presidente do Benfica… Os anos vão passando e Seara não sai da cepa torta, ou seja, de presidente da Câmara de Sintra onde, quase três mandatos decorridos, já ganhou a alcunha do “tá bem, tá bem, vou tratar disso”. Paralela e semanalmente vai exercendo a figura de compére num programa televisivo sobre futebol e onde, entre cúmplices piscares de olho e estranhos esgares aos seus parceiros, deixa uns imperceptíveis enigmas no ar que só o próprio aparentemente parece entender, o que lhe vai granjeando uma fama de “alegado inteligente”… Tirando o actual cargo que ocupa na autarquia de Sintra e que, por força da lei, vai ver-se obrigado a abandonar daqui a dois anos e pouco, esta personagem com contornos algo caricatos (para não dizer rídiculos…) e que certamente Eça retrataria sublimemente arrisca-se assim ficar na história apenas como príncipe-consorte, ou seja como “o marido da D.Judite”. Sim, porque nos tempos que correm, ser a cara-metade de um rosto televisivo vale bem mais do que alguma vez ter sido secretário-geral de um CDS ao tempo de Adriano Moreira, professor auxiliar de uma ou duas universidades privadas, chefe de gabinete de um dos inúmeros ministros da Educação que temos tido ao longo das últimas décadas, discreto deputado ou mesmo uma dúzia de anos presidente da Câmara Municipal de Sintra, por acaso o concelho mais populoso do País…”.

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