José Paulo Fafe

A filha de Salgueiro Maia e a "culpa" de Passos Coelho

PLACA

A NOTÍCIA, em jeito de lamento e indignação, correu tudo o que foi jornal (e não só) nos últimos dias e rezava mais ou menos assim: a filha do capitão Salgueiro Maia foi “obrigada” emigrar para o Luxemburgo e a culpa é do primeiro-ministro. Convenhamos que estava dado o mote para mil e um posts indignados nas redes sociais  e não foi preciso esperar muito para que os espíritos mais assanhados corressem a apontar o dedo acusador a Passos Coelho em tudo o que é lado, responsabilizando-o, a ele e à política de austeridade do seu governo, pelo “exílio” da filha do “capitão de Abril”. Não quero entrar aqui em questões temporais e de calendário e tentar perceber como é que a ida, em Março de 2011, para o Luxemburgo da jovem Catarina teve alguma coisa a ver com este governo, que só tomou posse três meses(!) depois – em Junho desse ano… Prefiro, isso sim, comentar este “caso” (se é que podemos denominá-lo de “caso”!) com uma única pergunta, conferindo-lhe uma outra perspectiva e que se prende com o que moveu Salgueiro Maia e os outros oficiais  na madrugada do dia 25 de Abril de 1974. Será que o homem que comandou a coluna de blindados que forçou a rendição de Marcello Caetano no quartel do Carmo “fez” o 25 de Abril para que, 41 anos depois, a sua filha fosse “excepção”? Atrevo-me a responder: acho que não, ou melhor, tenho a certeza que não! E se me permitem uma nota pessoal, deixem-me dizer-lhes que neste capítulo possuo uma autoridade moral própria de quem, também, sabe bem o que é ser “obrigado” a estar longe do seu País e da nossa família. Só cá em casa, em 5, já vai em dois… Para que conste.

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