José Paulo Fafe

A agenda caiu na rua…


ENCURRALADA PELAS centenas de milhares de pessoas que tomaram de assalto as ruas e após uns primeiros momentos de visível indecisão (e omissão…), a presidenta Dilma Rousseff decidiu ir ao encontro das reivindicações  da opinião pública anunciando um “pacote” de medidas que, de tão vasto e abrangente, dificilmente será posto em prática – isto já para não falar do facto que a maioria delas já estavam há muito anunciadas ou mesmo em trâmite no seio do poder legislativo.
Independentemente da bondade das medidas que também visam moralizar um sistema que está há muito a dar as últimas, a atitude de Dilma e da generalidade da classe política brasileira que, a correr e aos tropeções, se apressam a propor, votar e aprovar tudo aquilo que durante anos deixaram em “banho maria” durante anos a fio, tem algo de cínico e oportunista. E, por outro lado, mostra também a desorientação, o desgaste e o fim de um ciclo que teve Lula e o PT como “motores” e que hoje não passa para a generalidade dos brasileiros de “mais do mesmo”.
Quem anda nestas coisas da política, sabe que o comando e liderança da agenda política é essencial. Dilma perdeu-os – anda hoje a reboque de uma rua cada vez mais reivindicativa, intolerante e dinâmica. E para mais, o até agora omnipresente e poderoso Lula, outrora tão afoito a subir ao palco e colher os louros que até já não lhe pertenciam, pura e simplesmente desapareceu, optando por um incómodo, comprometedor e até cobarde (porque não dizê-lo?!) silêncio…

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  • Com tantos escandalos escondidos debaixo do tapete, e que devem aparecer nos proximos dias nas pautas das manifestacoes ( Finalizacao dos prazos recursais do Mensalao e consequente prisao de Dirceu & Cia ,Petrobras, BNDES, etc) o Lula deve estar mesmo com as barbas de molho, antes que alguém se lembre de reavivar que foi ele, sempre ele, que manobrou o PT , a ponto de se atribuir ao seu fiel escudeiro Gilberto Carvalho, uma participacao estranhissima de alguns colaboradores da Secretaria geral da Presidencia, na organizacao de barreiras e queima de pneus em Brasilia. O “fogo-amigo” do PT sobre a Dilma economiza muita municao ao Aécio, a Marina e talvez ajude o Eduardo Capos a sair de cima do muro. Com estes 3 articulados entre si, com compromissos mutuos de apoio, começa a ser viável um segundo turno nas eleicoes de 2014 para Presidente, com eventual desfecho favorável a um deles, libertando a máquina do Poder Publico do PT e do PMDB. O primeiro , no poder há pouco mais de 10 anos. O PMDB no poder desde 1986. Quem viver verá no que vai dar. Eduardo Campos terá poder de destruir o curral eleitoral do Nordeste ? As bolsa disto e daquilo serao suficientes para manter os milhoes de votos na Dilma ? A Marina, com sua plataforma ambiental e apoio de parte dos evangélicos conseguirá repetir a façanha de 2010 ? O Aércio, pacificando as crises internas do PSDB conseguirá galvanizar os apoios na Regiao Sudeste e Sul, angariando apoios numa parte importante do PMDB ?

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